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História da acupuntura

No final dos anos setenta e início dos oitenta, um grupo de jovens médicos se conheceu durante o Curso de Formação em acupuntura do Instituto Hahnemanniano do Brasil, dirigido pelo professor Frederico Spaeth e coordenado pelo Dr. Orlando José Gonçalves Filho.

Por motivos inexplicáveis o curso do Hahnemanniano acabou, mesmo tendo formado muitos acupunturistas e servido para difundir a ainda pouco conhecida técnica. Durante um período desarticulou-se um embrião que gravitava em torno do professor Frederico, ficando o Rio de Janeiro sem foro para o debate e troca de conhecimentos.

A necessidade de retomar o projeto deflagrado por ele fez com que, em meados de 1983, alguns desses jovens médicos voltassem a se reunir para trocar idéias e planos sobre o assunto profissional que mais lhes interessava, a acupuntura.

Nas noites de quarta-feira agrupavam-se em volta da mesa da sala de jantar da casa do mais experiente entre eles, Dr.Orlando, para reviver o sonho de difundir a prática da acupuntura no meio médico, cujas potencialidades já haviam tido a oportunidade de verificar, tanto pelos resultados terapêuticos obtidos, como pela experiência em terras distantes que tiveram a oportunidade de visitar, cujos povos, há séculos, vinham-na empregando com sucesso. Essas reuniões deram origem ao Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro no dia 8 de dezembro de 1984.

Naquela ocasião o grupo era formado por sete colegas, pois o Dr. Carlos Alberto Borja ainda vivia. Contudo, um infeliz acidente automobilístico em setembro de 1984, tirou-lhe a vida, ainda jovem, mas de grande dedicação à acupuntura. Há pouco que ele voltara da China, trazendo a experiência de uma permanência por três meses na cidade de Nanquim, onde freqüentou o curso para estrangeiros patrocinado pela Organização Mundial da Saúde. Ele e Dr. Alcio Luiz Gomes, que fora na mesma época, mas para Pequim, voltaram entusiasmados com o novo material didático sobre a organização do conhecimento da medicina chinesa com que haviam entrado em contato.

As reuniões tornaram-se então um desvendar de novas potencialidades, já que a organização didática dada pelos chineses satisfazia à necessidade do grupo de uma racionalidade que enfeixasse os conceitos já demonstrados empiricamente, na prática clínica. Dr. Ricardo Calmont e Antunes, que saía do seu mestrado em endocrinologia, passou a reunir as observações que eram feitas, para a construção do que viria a ser o programa do primeiro curso de formação em acupuntura do Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro. Dr. Orlando, que já tinha alguns anos de estrada àquela altura, com forte inspiração na escola francesa por influência do professor Frederico, fazia o contraponto fornecendo elementos para que se compusesse um quadro com influências variadas e Dr. Alexandros Spyros. Botsaris manifestava o desejo de ir para a França estudar com os mestres de lá, o que de fato acabou fazendo alguns meses mais tarde.

Paralelamente, Dr. Ronaldo Azem desenvolvia um trabalho pioneiro de introdução da acupuntura no serviço público, através do Hospital Municipal Paulino Werneck, na Ilha do Governador, que durante muitos anos foi local de referência para acupuntura. O grupo completava-se com o então anestesista Dr. Roberto Leal Boorhem, que aos poucos se desligava da sua especialidade original para abraçar integralmente essa técnica.

Seguiram-se reuniões que se desdobraram em ensaios de aula apresentados para o próprio grupo, filmados, estudados, criticados e aperfeiçoados, até que finalmente chegasse ao nível mínimo que exigia para que, a partir daí, com segurança, pudesse abrir a primeira turma do Curso de Formação em acupuntura do que viria a ser o IARJ. Isto porque durante o primeiro ano, ainda sem uma sede e também sem recursos, o grupo alugara salas de aula do Colégio Legrand, na rua Álvaro Ramos em Botafogo. As aulas práticas davam-se então nos consultórios particulares dos professores.

Finalmente, com o sucesso do curso e ainda no ano de 1984, foi reunido o capital inicial para alugar e reformar a casa da Travessa Pepe 81, e lá instalar o IARJ.

Ao longo desse período, a expansão se deu em diversos aspectos. O curso inicial, de acupuntura, deu origem aos cursos de formação em dietética, fitoterapia e massoterapia chinesas, utilizando o sistema de módulos. Nesse período mais de quinhentos alunos passaram pelo Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro e 260 médicos tiveram formação completa na nova especialidade médica. Dois congressos nacionais foram realizados com o apoio do IARJ, bem como a vinda de professores estrangeiros para a realização de cursos de aperfeiçoamento. Três Cursos de Didática foram realizados com o intuito de formar novos quadros de docentes para o IARJ, aperfeiçoando seus métodos e técnicas. Um número incalculável de consultas médicas, mas que passam de 100.000, já foram feitas na instituição, dentre as quais boa parte nos ambulatórios sociais, que são mantidos exclusivamente com recursos próprios e a preços subvencionados.

No ano de 1995 sete novos colegas médicos foram convidados a participar do quadro de professores efetivos do IARJ, satisfazendo a necessidade de expansão e a política de ser um polo de aperfeiçoamento, estudo, pesquisa e divulgação da Medicina Tradicional Chinesa. Esta tendência se manifesta pelo alto número de monitores e ex-alunos que hoje participam das suas atividades, como professores convidados.

Com mais de vinte anos de existência, o IARJ orgulha-se de ter participado do processo de expansão da acupuntura no Brasil, do seu reconhecimento como especialidade médica, de ser pioneiro no ensino e pesquisa das outras áreas do conhecimento da Medicina Tradicional Chinesa e da qualidade dos profissionais que por ele passaram, que hoje se destacam pela solidez da sua formação e sucesso no exercício da especialidade.