Acupuntura surge como alternativa de tratamento no combate à depressao

Por Eduardo Aragão

     Com o sistema nervoso abalado e com dores nos ossos há mais de cinquenta anos, a dona de casa Maria Cândido é um exemplo vivo de como a acupuntura pode servir de tratamento no combate à depressão. Embora continue com o tratamento medicamentoso, após as sessões de agulhamentos os sintomas relativos à depressão diminuíram substancialmente. "Eu venho sendo medicada há muito tempo, mas os sintomas sempre persistiam. Depois que associei as sessões de acupuntura ao tratamento, percebo a depressão mais controlada e as dores estão bem mais aliviadas", relata.
     Ela faz parte de um grupo de pessoas que busca a acupuntura não pela depressão. Na maioria das vezes, objetivam tratar de dores e sintomas físicos, mas para Medicina Tradicional Chinesa, em alguns casos, estes aspectos orgânicos estão diretamente associados aos aspectos emocionais da depressão. "Ainda que muitas vezes o paciente nos procure para tratar de uma dor, logo na primeira consulta podemos observar sintomas classificados como emocionais, isto porque para a medicina chinesa corpo e mente são estrutura interligadas e indivisíveis", explica a médica acupunturista, Dra Paulina Milsztajv.
     Deste modo, cada órgão (zang-fu)/víscera possui uma alma ou espírito, além de aspectos mentais e emocionais. "A tristeza e o pesar bloqueiam a energia chi e, a longo prazo, o faz estagnar, levando a uma deficiência do fígado", exemplifica.

Origens e sintomas

     Diferentemente de uma tristeza, que aparece como resposta a algumas situações da vida, e da reação de luto após a perda de pessoas queridas, a depressão caracacteriza-se pela sensação de cansaço excessiva e pela perda do prazer e interesse nas atividades cotidianas. O diagnóstico da depressão é tido quando sintomas como baixa auto-estima, pessimismo, sensação de inutilidade, alterações de apetite, dentre outros, perduram por mais de duas semanas. O psiquiatra do Hospital Maternidade da Praça XV diz que a psiquiatria reconhece como possíveis causas as biológicas - alterações dos neurotransmissores - e as que são explicadas pela psicanálise. "É possível que haja uma interação entre esses fatores. Uns originando uma predisposição à doença, outros explicando seu início".
Já a Medicina Chinesa encontra nas feridas existentes no indivíduo as causas etiológicas da doença. "Excessos de raiva, preocupação, angustia e tristeza podem impedir que o fígado faça a energia circular adequadamente", diz Dra Paulina. "Desgaste de energia por excesso de trabalho, atividade sexual excessiva e dieta inadequada ricas alimentos frios e laticínios são outros exemplos", cita.
De acordo com Dra Paulina, o agulhamento dos pontos se fará mediante a síndrome observada ou pelo comprometimento do órgão, seus sintomas e sinais. No dia da consulta, o acupunturista observará os sinais de diagnóstico a partir da compleição da face, observação dos olhos, pulso e língua, por exemplo. "O tratamento deverá ser semanal, por no mínimo três meses. Pode se associar também a fitoterapia, dietética chinesa, exercícios corporais e respiratórios, anti-depressivos, psicoterapia", diz.


     Dr. Rodrigo Pedalini, alerta que a depressão é uma doença crônica e que nos casos mais agudos, o tratamento medicamentoso pode ser indicado para toda a vida. "Falar em erradicação é impossível. Por isso é importante que o transtorno depressivo seja diagnosticado precocemente e seja devidamente tratado pela medicina ocidental", afirma.
     Em quadros depressivos, a medicina chinesa observa aspectos orgânicos que aparecem antes mesmo de a doença se generalizar. Nestes casos, a acupuntura pode tonificar a energia e o paciente nem mesmo chega a portar o quadro depressivo.