Alimentos
que dão vida
Dietética
chinesa e nutraceuticos: obeservação e pesquisa
Por
Eduardo Aragão
As pesquisas em torno do novo conceito de nutrição, segundo
o qual é delegado aos alimentos a contribuição
para a melhora na saúde das pessoas, vêm tomando dimensões
cada vez maiores. Se antes a ciência dos alimentos dava-se por
satisfeita em apontar este ou aquele alimento por trazer danos ou benefícios
à saúde, agora os estudos mostram-se bem mais avançados,
já que, mais do que nutrir, alguns alimentos podem agir não
só na prevenção, mas também no tratamento
de doenças.
Do assunto, decorre a confusão feita
entre dietética chinesa e nutraceuticos. Embora o estopim dos
estudos da comunidade científica sobre o assunto tenha se dado
apenas recentemente, os chineses vêm catalogando os alimentos
há pelo menos 4000 anos.
Especialista em dietética chinesa, Dr.
João Curvo explica que a diferença básica entre
uma especialidade e outra se dá através da metodologia
utilizada, sendo a dietética guiada pela percepção.
"Há milênios os sábios que observavam a natureza
concluíam pelo que viam e percebiam. Hoje utilizamos, por exemplo,
fórmulas complexas em avaliações antropométricas
para responder se uma pessoa é gorda ou magra. Desprezamos o
que vemos e podemos palpar", explica.
Pela dietética chinesa, dependendo da
cor e do sabor, o alimento poderá ter uma função
diferenciada na prevenção de doenças. Ao comer
alimentos dos cinco grupos de cores (verde, amarelo, vermelho, branco
e escuro) e dos cinco sabores (ácido, amargo, doce, picante e
salgado) mantém-se as condições para um equilíbrio
que afaste o risco que um indivíduo tem de adoecer. "A dietética
energética surgiu da escuta dos alimentos. Sabores, naturezas
e cores dos alimentos, bem como suas direções a órgãos
ou meridianos eram observados na hora da prescrição",
observa Dr. João.
Na outra ponta encontram-se os nutraceuticos
ou alimentos funcionais, que se baseiam nos princípios ativos
isolados dos alimentos. A nutricionista Dra. Luciana Ayer esclarece
que a função terapêutica contida nas substâncias
de determinados alimentos são observados a partir de estudos
dos hábitos da população. "A partir dos estudos
epidemiológicos, podemos constatar, por exemplo, o porquê
da baixa incidência de câncer de mama na mulheres orientais.
Descobriu-se que era devido à soja consumida desde cedo por elas",
exemplifica.
Há, porém, mais convergências
do que se supõe. A dietoterapia chinesa e a nutrologia atual
indicam na anemia, por exemplo, os mesmos alimentos (carnes, feijões,
folhas verdes escuras, etc.), baseados em princípios diferentes.
Dra. Luciana Ayer diz que as próprias cores muito valorizadas
pela Dietética Chinesa nada mais são do que uma variedade
de nutraceuticos presentes nos alimentos que conferem tais cores. "Pigmentos
tipo carotenóides, o vermelho do tomate, da melancia e da goiaba
(licopeno), o laranja da cenoura (betacaroteno) são alguns exemplos",
afirma. A arnica e a espinheira santa são utilizadas há
séculos - respectivamente como antiiflamatório e na cura
de gastrites e úlceras, mas só ganharam o aval científico
com evidencias de seus princípios ativos e ação
orgânica.